A IA, o carro elétrico e a questão da energia
Falamos tanto da evolução da IA, suas novidades constantes, mas há uma barreira logo ali no futuro que vai ser um gargalo aparentemente intransponível para o seu avanço: a escassez de energia.
Começo lembrando o que disse Sam Altman, CEO da OpenAI em abril de 2005. Segundo ele, os modelos GPT estariam gastando muita energia para responder expressões de cortesia como “por favor” e “obrigado”.
Ah esses malditos humanos educados!
Energia significa dinheiro, em termos monetários esse “vício de polidez” causa um gasto extra de “algumas dezenas de milhões por ano”.
Isso se dá porque os modelos de linguagem LLM, como o GPT, utilizam milhares de GPUs de alto desempenho em data centers. A quantidade de energia para alimentar essas máquinas é astronômica.
A estimativa é que uma interação sua com o GPT-4 pode consumir cerca de 0,14 kWh, o equivalente a 14 lâmpadas LED acesas por uma hora.
Agora, multiplique isso pela quantidade de interações que você faz num dia, e multiplique depois por centenas de milhões de usuários. É um total que não conseguimos pensar. Imagine a conta de luz da OpenAI… rs
E quando há energia, há calor, e lá vão mais alguns milhões de metros cúbicos para resfriar os servidores. Só aquela sua consulta das 14 lâmpadas vai gastar também 0,5 litro de água para refrigerar.
Para ser justo, Altman não defendeu a grosseria, até disse que é “um dinheiro bem gasto”, pois ajuda o modelo… blá blá blá, mas especialistas estão usando esse exemplo para indicar maior objetividade nos prompts.
Em paralelo a isso, aqui bem próximo de nós, o acordo entre Brasil e Paraguai para que comprássemos a energia excedente de Itaipú acabou mal pela revelação de que o governo brasileiro estava espionando o paraguaio para conseguir o menor preço pela energia.
Em audiência no Congresso América, Marc Rubio, secretário de estado norte-americano falou do caso e ligou a informação ao nosso caso aqui.
Disse que, como não é possível ao Paraguai exportar essa energia para os EUA, alguma empresa de IA deveria ir lá construir datacenters para consumir essa energia excedente, já que é um bem tão precioso para empresa de IA.
Veja, esse tema está apenas começando a aparecer e vai ser peça chave num futuro não distante. Não é à toa que o governo americano sinalizou pela volta ao petróleo, em detrimento do carro elétrico.
Pensando na lógica, não faria sentido colocar uma base instalada de automóveis para disputar a escassa energia elétrica dos datacenters, tendo em vista que já se utiliza de outra fonte de energia.
Nos próximos meses ou anos, isso ficará ainda mais evidente.
