Precisamos voltar a ouvir os humanos

Precisamos voltar a ouvir os humanos

O universo da inteligência artificial é fascinante e, ao mesmo tempo, preocupante.

Até para os que, por força de suas posições, precisam acompanhar as novidades, está bem difícil se manter “up-to-date”. Cada dia é um flash!

Por conta de uma palestra que dei essa semana, procurei mudar um pouco a estratégia. Ao invés de buscar novidades loucamente, passei a semana ouvindo os principais expoentes da IA para entender um pouco o que estão falando, muito além dos produtos que estão produzindo.

É de fato muito bom sair um pouco da loucura das novidades e voltar a ouvir o ser humano por trás delas. Recomendo.

Fugi das palestras, onde há um roteiro e uma linha de raciocínio, foquei nas entrevistas em que quem tem a informação não está no controle da conversa. Creio que dá para ter uma leitura mais real das pessoas.

Numa contagem rápida, acredito que foram entre 8 a 10 horas de entrevistas diversas com os expoentes da Nvidia, OpenAI, Google e teóricos da IA.

A leitura que tenho, como já reclamei antes, é que a ânsia por novidades está fazendo o conteúdo sobre absolutamente tudo ficar no campo da opinião. Isso não seria um problema, se a opinião das pessoas não fosse transmitida como “tendências” ou como “verdade jornalística”.

Está claro para mim que essas pessoas que ouvi sabem o que estão fazendo, têm uma boa noção do que está no futuro próximo, mas eles mesmos não sabem exatamente o que será daqui há 10 ou 15 anos. Isso é bem incomum neste mercado. Lembro que em 1993 fui a um evento de inovação nos EUA, chamado “Inovate”. Lá, presidentes das chamadas “big-techs” como “key-note speackers” fizeram palestras falando de suas expectativas de futuro. Demonstraram o que hoje são as reuniões on-line, e falaram de muitas coisas no futuro. Mas uma coisa me chamou a atenção, um filme futurista.

O filme, de cerca de 5 minutos, apresentava um mecânico que chegava para socorrer um cliente com o carro quebrado. O carro, não sei por que (talvez pelo ângulo da câmera), era um fusca. O mecânico abre a tampa do motor e depois, de alguma análise, pega seu dispositivo móvel e liga para a distribuidora de peças pedindo uma peça. 

A pessoa do outro lado demonstra dúvidas, e o mecânico aciona a câmera e os dois passam a conversar um vendo o outro. O mecânico mostra a peça e o atendente, do outro lado, sabe finalmente de qual peça se estava falando. No final, a peça é enviada e o mecânico conserta o carro e todos saem felizes.

 Nada anormal? Sim, muito anormal, a questão era que estávamos em 1993 e os celulares da época eram estes daqui:

Celulares em 1993

Celulares com câmera rudimentar surgiram cerca de 5-6 anos depois. A capacidade de fazer uma chamada de vídeo como aquela não veio antes do que 15 anos depois.

Naquele evento, vi que todos demonstraram suas previsões para 5, 10 e 20 anos. Muitas delas realmente se concretizaram, o que hoje parece ser impossível. E isso é inquietante.

Além das novidades, é importante atentar para o todo e não apenas para as novidades. Necessário ter claro “Conceitos fundamentais, futuro e riscos da IA”, justamente a palestra que tenho dado (caso interesse, pode chamar no direct). 

O que sabemos a esta altura são três coisas:

  • Os avanços são “imparáveis”;
  • As vantagens são astronômicas;
  • Os riscos são reais, são sérios, e estão sendo ignorados por muitos.

Sobre a palestra:

Abordando história, conceitos e riscos da IA para C-Level.

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